Nossa História

Autor dos textos: Leandro Karaí Mirim Pires Gonçalves

I ENCONTRO NACIONAL DOS ESTUDANTES INDÍGENAS

Tema: “Educação Superior de Indígenas no Brasil: balanços de uma década e subsídios para o futuro"

Sede: UFSCAR São Carlos (SP) - Região Sudeste

Data do evento: 02 a 06 de Setembro de 2013.

O primeiro encontro dos estudantes indígenas é considerado histórico e precursor, o evento que possibilitou a abertura das primeiras caminhadas coletivas dentro e fora dos territórios das universidades. Por se tratar de um primeiro evento, trouxe temas que foram fundamentais, e movimentou uma ampla e diversa quantidade de estudantes para a sede do evento, que foi na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), universidade que tem recebido alunos indígenas em vagas complementares abertas em todos os cursos oferecidos nos seus três campus, por meio de vestibular indígena, desde 2007.

A proposta inicial do evento parte da necessidade de fazer mesas e debates com o protagonismo indígena, isto é, as pessoas indígenas falando das próprias pautas, pesquisas, e dos próprios entendimentos do que é o conhecimento científico, suas visões sobre as epistemologias, e debates éticos relacionando o universo indígena e nossas ontologias e o universo acadêmico-científico.

Durante todo o evento foram fomentadas questões referentes às lutas pelas demarcações de terras, bem como das políticas de acesso e permanência em diversas realidades e contextos. O evento também serviu para denunciar as grandes evasões de estudantes indígenas em diversas universidades do país. No que diz respeito à permanência e às ações afirmativas, foi refletido de forma coletiva em como é essencial para continuar os estudos universitários os programas governamentais, como a bolsa permanência para indígenas e quilombolas. E como vai além de somente o auxílio financeiro. Como por exemplo, de que modo pode se pensar dentro das universidades no acolhimento e estratégias de enfrentamentos às violências específicas que o estudante indígena enfrenta dentro de um contexto universitário. Isso porque, muitas vezes o estudante indígena sofre uma violência e está distante de sua rede de apoio, seja ela familiar ou cultural.

Outras questões importantes que foram refletidas trataram da importância das licenciaturas interculturais indígenas, por estarem conseguindo pautar as lutas pelos territórios. Essencial para uma educação emancipatória e para a própria luta pela educação diferenciada a formação de professores e professoras indígenas, para componham tanto os quadros nas escolas indígenas dentro dos territórios quanto também em outros contextos da educação pública e particular. A importância da saúde indígena também esteve em evidência, pautando as necessidades do cuidado e atenção específica para a população indígena, respeitando as interculturalidades, as cosmovisões do processo de adoecimento, e a necessidade pela formação humanizadora dos profissionais para não perpetuar as violências de uma formação afastada da realidade indígena na prática profissional.

No encerramento do Encontro, foi realizado um fórum para elaboração do documento final. Após o encerramento, os estudantes continuaram se comunicando para concluir a elaboração do documento, que será entregue pelos seis estudantes, um de cada região do Brasil e do Distrito Federal, durante o primeiro dia do Seminário do MEC. O convite foi feito pelo Diretor de Políticas de Educação do Campo, Indígena e para as Relações Étnico-Raciais da Secadi, Thiago Tobias, que participou da abertura do Encontro na UFSCar.

II ENCONTRO NACIONAL DOS ESTUDANTES INDÍGENAS

Tema: "Políticas públicas para os acadêmicos e egressos indígenas: avanços e desafios."

Sede: UFDB - Campo Grande (MS) - Centro-Oeste

Data do evento: 04 a 07 de Agosto de 2014

A segunda edição do Encontro Nacional dos Estudantes Indígenas continua marcando e fazendo história. O evento reuniu 41 universidades brasileiras e 2 universidades latino-americanas (Universidade Indígena da Colômbia e Universidade do Equador), com populações pertencentes a 42 etnias diferentes. Essa grande diversidade de narrativas, de trajetórias e de vivências se encontram em um espaço, que é nas universidades. Esse encontro entre tanta diversidade tem suas potências e desafios. Tendo em mente a representação de todas as regiões do país, que a cada ano vai se alternando após votação no último dia do evento, o II ENEI marca presença no território do Mato Grosso do Sul, exceto pela sua abertura, realizada na UCDB. O encontro ocorreu em um Eco Hotel na qual todos os indígenas presentes puderam ficar alojados, mais especificamente em Campo Grande, região Centro-Oeste do Brasil. Segundo alguns relatórios de índices de violências, o estado do Mato Grosso do Sul já atingiu uma verdadeira crise humanitária, sendo também o segundo estado com maior número de pessoas indígenas. Coincidentemente, também é onde algumas estatísticas são assustadoras no que tange a expectativa de vida, sendo comparado aos países mais pobres do mundo, um índice de assassinatos semelhantes às zonas de guerras, índices de suicídios entre os maiores do mundo e uma grande mortalidade infantil, muito acima da média nacional, conforme podemos conferir no relatório de violência contra indígenas no Mato Grosso do Sul entre 2003-2010.

Nesse espaço de disputa e em busca de propor debates para reverter essa situação preocupante do Estado e do país, as políticas públicas na educação foram um dos destaques durante o evento, por conta da não garantia do ensino e aprendizagem diferenciada para a população indígena, o espaço das mesas e das temáticas permitiram refletir sobre os avanços e os desafios também presentes no cumprimento e no descumprimento dos direitos indígenas presentes na Constituição Federal. Durante uma das mesas, acerca dos assuntos que tangem a formação acadêmica e conteúdos complementares para atuação junto às comunidades, foi denunciado que muitas vezes durante a formação dentro das universidades, a temática acerca dos direitos indígenas são sistematicamente evitados, quando não atacados, durante a formação no curso de direito, por exemplo. Outro ponto que foi levantado, de extrema relevância para o contexto da educação, foi acerca da permanência estudantil, trazendo em relevo a necessidade de atenção devida às bolsas de permanência financeira, como as bolsas específicas, mas também além disso focar na necessidade dos cursos universitários de realizarem uma revisão dos seus projetos pedagógicos para que novos conteúdos sejam incorporados e a partir de novos princípios didático-metodológicos, para um melhor acolhimento da pessoa indígena.

Entre as apresentações, grupos de trabalho se formaram de acordo com suas temáticas. Nos intervalos sempre houve as apresentações culturais, os rituais, as vivências através das músicas, do sentir e pensar através dos cantos. Também sempre está presente a linguagem das cestarias e outras artes e artesanatos que foram expostos durante todo o evento. No período da noite ocorriam atrações culturais como mostra de arte indígena, desfile de trajes étnicos e apresentação do DJ Eric Marky Terena.

III ENCONTRO NACIONAL DOS ESTUDANTES INDÍGENAS

Tema: "Avanços e desafios na organização política e movimento estudantil indígena"

Sede: UFSC - Florianópolis (SC) - Sul

Data do evento: 28 de Setembro a 02 de Outubro de 2015

O terceiro encontro foi organizado junto com a Universidade Federal de Santa Catarina, na cidade de Florianópolis. Esse evento teve a contribuição de continuar os debates acerca da organização política e do movimento estudantil indígena, necessários para um avanço das políticas públicas para os povos originários, já que, sem a pressão dos movimentos organizados de resistência, jamais teriam tomado forma nossos territórios e nossos direitos na constituição, principal peça de lei do país. Seguindo os mesmos moldes dos outros encontros, nessa edição foi a região sul do país que teve a oportunidade de receber dezenas de estudantes indígenas de diversos estados e de universidades estrangeiras, como representantes da Universidade Zapatista do México e da Universidade de Cauca da Colômbia.

Os estudantes indígenas ocupam as ruas em um ato público durante o evento, expressando seu lamento, insatisfação e combate com as instituições brasileiras que atacam incessantemente os povos ancestrais, como a mídia corporativista e o agronegócio, mas também expressaram sua cultura, fé, força e esperança, na forma de canto e danças tradicionais, uso dos cachimbos sagrados e dos adornos étnicos durante todo o evento.

Na ocasião, esteve em relevo também a grave situação vivida pelo povo Guarani Kaiowá, até hoje em sua maioria em situação de crise humanitária, sobrevivendo na luta diária em beiras de estradas e em processo incessante de retomada de seus territórios sagrados ocupados por fazendeiros. Foram lembrados os nomes de Simião Vilalva Guarani Kaiowá e Rosiel Gabriel Terena, lideranças indígenas entre muitas outras que perderam suas vidas na luta cruel pela sobrevivência de seus povos, e foi marcada presença de representantes desses povos guerreiros nesse importante encontro. Representantes de povos das regiões sul, sudeste, nordeste e norte, e até mesmo do México, todos fizerem coro, “su lucha es mi lucha”, e estiveram juntos nas denúncias de perseguição às suas populações e seu modo de organização e vida, trazendo críticas diretos ao modelo capitalista que visa o lucro acima de todos os direitos humanos. Provando mais uma vez em público a organização dos jovens estudantes indígenas, o evento trouxe o grito dos povos indígenas do Brasil e afora para as ruas de Florianópolis, e foi lembrado que os estudantes de nível superior têm um conhecimento privilegiado da sociedade não indígena e de suas bases, portanto, carregam importante papel na luta da defesa pela vida originária.

No âmbito do intercâmbio de saberes acadêmicos, a programação contou com palestras ministradas por professores acadêmicos indígenas, sabedores e lideranças tradicionais e também apoiadores de diversas instituições públicas e particulares não-governamentais, e passaram pelas temáticas: Movimento indígena e educação superior: campo de disputa constante; Acesso e permanência no nível superior da educação indígena; Políticas públicas de acesso e permanência: Experiências da educação indígena no contexto das universidade interculturais da américa latina; Demarcação de terras indígenas e desafios da atualidade: criminalização do movimento indígena; Saude indígena: reflexo do novo mundo e suas consequências na saúde mental dos Povos indígenas; Formação dos profissionais de saúde no âmbito das universidades e Experiências do caso da criação do ambulatório de saúde indígena da UNB; O evento contou com grupos de trabalho para exposição e conhecimento coletivo do trabalho que os pesquisadores e profissionais indígenas em nível superior vem realizando, e teve um importante debate envolvendo possíveis futuros reitores da UFSC.

IV ENCONTRO NACIONAL DOS ESTUDANTES INDÍGENAS

Tema: “Diversidade Pluriétnica nas Universidades: Problematizando o Racismo”

Sede: UFOPA- Universidade Federal do Oeste do Pará, Santarém (PA) - região norte

Data do evento: 15 a 19 de Outubro de 2016.

V ENCONTRO NACIONAL DOS ESTUDANTES INDÍGENAS

Tema: “Espaço de afirmação, protagonismo e diálogos interculturais: descolonizando o pensamento”

Sede: UFBA - Universidade Federal da Bahia, Salvador (BA) - região nordeste

Data do evento: 11 a 15 de Setembro de 2017.

O quinto encontro traz a perspectiva interessante da noção do ENEI como um espaço. É um espaço subjetivo de identidade para pensar o Eu e o Outro, e se construir nesse diálogo e nesse caminho sempre entre culturas, e um espaço físico, cada vez diferente, como foi esta a edição com a característica de ser a primeira que ocorreu no nordeste. Descolonizar se torna fundamental quando refletimos os processos de apagamento e eliminação que sofremos enquanto indígenas historicamente, tanto em nossos corpos físicos, como na escravização e em conhecidos massacres ao longo da formação do Brasil, como por exemplo aconteceu com o povo Pataxó mesmo no século XX, eventos que podem ser conceituados hoje como genocídio, como também fomos oprimidos e sofremos proibições e perseguições ao nosso saber, nossas palavras e línguas e costumes, modos de construir conhecimento e existência no mundo, o que reflete-se hoje a partir do conceito epistemicídio. Existiu um grande esforço ao longo desse período para deslegitimar e retirar o indígena de seu contexto de origem, um primeiro momento da colonização catequizando-o, depois transformando essas populações em trabalhadores e consumidores, sem relação ou memória com a sua ancestralidade, um plano nefasto que gerou o apossamento de muitos territórios. As consequências de um modelo epistêmico, tal qual o Brasileiro adota em maior parte em sua educação, resulta que os povos indígenas ocupam no imaginário da população um lugar folclórico, lendário, irreal e deslocado, baseado principalmente no estereótipo e no preconceito. O evento contribui grandemente com a reflexão que traz, porque afirmar-se e protagonizar enquanto indígena em um diálogo entre povos e culturas é descolonizar por si só, trazendo o ser real e presente para o espaço público de uma universidade, de um ato na rua, em uma apresentação cultural tradicional ou moderna. Nesse sentido, é de grande importância o enriquecimento do imaginário brasileiro regional com a cultura indígena, desta desde antes do primeiro momento tão formativa e tão esquecida, e ainda mais esquecida quando tratamos de regionalidades não-estereotipadas para os povos indígenas, sempre localizados imaginariamente na floresta, que ainda que seja local sagrado e de imensa importância para o planeta, não representa o único local de ocupação indígena, presente em toda extensão territorial, como nos litorais, caatingas, pantanal e pampas, e inclusive nos espaços de formação dos saberes e profissionalização não-indígena, como as universidades.

O evento de 5 dias foi como sempre aberto com forte aspecto cultural e também reflexivo com a mesa temática “Pensando a identidade dos povos indígenas do Nordeste: Descolonizando o pensamento”, identidade essa tão enriquecida pelo povos Pataxó, Potiguara, Fulni-ô, Atikum, Pankará, Pankararu, Xakriaba, Xukuru, Kariri, entre tantos outros. Nos dias seguintes, as mesas se deram a partir das seguintes temáticas: Movimento indígena no Brasil, resistência e protagonismo; Mulheres indígenas: protagonismo feminino; Intelectuais e acadêmicos indígenas e o compromisso com o movimento indígena, como fazer? Políticas Públicas na Educação Superior Indígena; Políticas públicas de Saúde Indígena e Saberes Tradicionais e; Direitos Indígenas: avanços, violações e retrocessos. O evento também contou com dois minicursos, uma oficina de capacitação de jovens lideranças, um ato político nas ruas de Salvador e, nos últimos dois dias, realizaram-se grupos de trabalho (GT’s) para intercâmbios das pesquisas acadêmicas dos estudantes, pesquisadores e profissionais indígenas, divididos em 6 áreas: Educação indígena; Ciências da terra, sustentabilidade e meio ambiente; Direito indígena, território e movimento; Ciências da saúde e medicina tradicional; Tecnologias da informação, comunicação e demanda indígena e, por fim; Artes, memória e manifestação cultural.

VI ENCONTRO NACIONAL DOS ESTUDANTES INDÍGENAS

Tema: Territorialidade, Lutas e Resistência dos Povos Indígenas: do Tekoha à Universidade.

Sede: Aldeia Jaguapiru, Dourados (MS) - região centro-oeste

Data do evento: 11 a 15 de outubro de 2018.

Na sexta versão do ENEI uma grande particularidade foi a localidade do evento. Este ano os estudantes se encontraram em uma tekoha Guarani, em Dourados (MS), palco de disputa intensa e de violações graves aos direitos dos povos originários. A territorialidade é um tema que perpassa o movimento indígena com enorme importância. Já desde antes dos tempos de luta pela participação na constituinte de 1988, e mesmo depois de a compor, a necessidade de ter um território demarcado e salvaguardado pelos recursos do Estado Federal se tornou uma necessidade. O avanço irrefreado das grandes propriedades privadas, do modelo capitalista e da globalização colocam hoje em risco todos os biomas terrestres. E os povos originários que tiveram os santuários naturais, lugar cuja ligação com nossos costumes é de imensa profundidade, e os lugares para onde nossos antigos parentes podiam recuar da guerra, fome e doença, foram cada vez mais reduzidos, chegando à um ponto onde a necessidade de demarcar um território se tornou principal para conseguir manter a vida do povos. Por isso, o comprometimento tácito com essa luta que a classe estudantil indígena se propõe, ao realizar o evento de caráter nacional no tekoha, é justo e glorioso, honrando a luta dos que vieram antes de nós e por muitas vezes deram as vidas para criar sustentação para que indígenas possam sentar às cadeiras das universidades, não como objetos de estudo, mas como estudantes, professores, pesquisadores, profissionais e sabedores tradicionais.

Na ocasião, universidades e faculdades como UFRR, UFBA, UFSC, UFOPA, UFPE, UFRGS, UFMS, UFRJ, PUC-SP, FMUSP, entre outras, além de é claro a Universidade Federal de Grande Dourados, estiveram representadas e realizaram intercâmbios acadêmicos e culturais em dias através de 7 GT’s, contemplando as dimensões: Ciências da terra, sustentabilidade e meio ambiente; Direito indígena, território e movimento indígena; Educação indígena, escola e práticas interculturais; Educação superior indígena e profissionalização; Formação acadêmica, ciências da saúde e medicina tradicional; Tecnologias da informação, comunicação e demanda indígena; por fim, Mulheres Indígenas.

Mais de 50 trabalhos realizados por estudantes indígenas em nível superior de educação foram apresentados, contemplando abordagens refletidas em territórios indígenas por todas as regiões e povo do Brasil, como por exemplo, discutiu-se desde agrobiodiversidade, segurança alimentar e sistema agroflorestal, assim como estudos de caso do estado atual de processos jurídicos específicos que tratam da vida de pessoas e comunidades indígenas hoje, uso de línguas indígenas nas escolas, olhar reflexivo sobre o percurso formativo do indígena na universidade, seus usos e sentidos, danças tradicionais e o efeito sobre a saúde, ações preventivas em saúde nas comunidades, mapeamento de plantas terapêuticas usadas na medicina tradicional, organização de bibliotecas, debates sobre eventos históricos de violência do estado lembrados pelos povos, debates sobre a lei maria da penha e a formação das mulheres ativistas nas aldeias, entre muitos outros interessantíssimos temas.

O saldo de um evento assim é mostrar que nós, as comunidades e pessoas indígenas, buscamos com muita intensidade o acesso à educação e permanência na mesma, que deveria ser um direito, e quando finalmente acessamos, fazemos da maneira viva, transformativa e enriquecedora, tanto para as pessoas enquanto "indivíduos" quanto para as comunidades que cada um de nós está conectado.

VII ENCONTRO NACIONAL DOS ESTUDANTES INDÍGENAS

Tema: “Direitos indígenas em perspectiva: das políticas de Estado ao estado das políticas indigenistas.”

Sede: UFRGS, Porto Alegre (RS) - região sul

Data do evento: 21 a 24 de Outubro de 2019.

A leveza e harmonia dos mborai, cantos tradicionais do povo Guarani-Mbya, a beleza, matemática e linguagem secreta das cestarias Kaingang, a fala e luta potente e corajosa do povo Laklãnõ-Xokleng. São elementos maravilhosos, entre tantos outros, que tiveram grande presença nesta edição do ENEI, que aconteceu no extremo sul do Brasil, em Porto Alegre. Esses povos com forte presença regional estiveram à frente do evento, mas sem ofuscar a diversidade tão característica dos povos indígenas do Brasil, que esteve representada mais uma vez nessa ocasião. Nos 4 dias do evento foram realizadas palestras com grande lutadores e sábios tradicionais, como o respeitadíssimo Nelson Xangrê, protagonista de um movimento de retomada inigualável dentro da história do povo Kaingang e da região sul, e que tristemente não está mais entre nós, mas descansa amado e admirado no coração e memória de seu povo, alimentando a luta de tantos que ficam, cada qual na sua realidade, mas todos juntos como povos oroginários dessa terra. Falaram também de sua dor e sua luta os antigos conhecedores do povo Mbya Guarani, xeramõi kuery, da disputa pela exploração do território da tekoa por empresas de mineração de carvão. Falou da estratégia do povo Mbya, sua reza, seu conhecimento, sua tradição, a relação com os aliados verdadeiros na universidade, e tudo isso pode ser absorvido e aproveitado por estudantes indígenas que, nas suas regiões, mantém vínculos fortes de aprendizado com seus queridos avôs e avós, mestres e pajés, servindo como pontes entre os sistemas de conhecimento tradicionais indígenas e os sistemas de conhecimento de suas áreas de estudo, trabalho e pesquisa na sociedade não-indígena. Professores universitários indígenas e não indígenas, promotores, advogados, escritores, jovens lideranças e artistas também participaram das mesas que ocorreram durante 3 dias do evento, que trataram das temáticas: Direitos originários dos povos indígenas: entre a cerca e o asfalto; Política indigenista de Educação: desmonte da escola à universidade; Políticas de Saúde: entre Equidade e Assimetria de Poder; Epistemologias da Terra: os Territórios indígenas são milenarmente agroecológicos?; e Mulheres Indígenas: Fortalecimento das teias de cuidado à proteção no território e espírito. O evento também contou com uma solenidade com os reitores e pró-reitores da universidade, um ato político nas ruas de Porto Alegre, a mostra do documentário “Nên Ga” feito por cineasta indígena, apresentação do Teatro Tapera: Arte e causa indígena, uma oficina acerca do protagonismo da juventude no movimento indígena e um ciclo de debates com o jornal da UFRGS.

Entre as mesas e refeições, os estudantes expressavam-se espiritualmente e artisticamente, pisando torés, fumando cachimbo sagrado, ouvindo levadas pantaneiras de parentes que conduziam essas violadas para nos entreter, fazendo tinta e realizando as pinturas tradicionais de cada etnia, bem como na noite cultural houve um belo desfile etnico.

Além de aproveitar, se conhecer e fortalecer os vínculos, no último dia houve um grande intercâmbio intelectual gerado pelas apresentações dos trabalhos acadêmicos.

VIII ENCONTRO NACIONAL DOS ESTUDANTES INDÍGENAS

Tema: Não houve.

Sede: UFRR - Boa Vista (RR) - Região Norte.

Data do evento: 08 a 10 de Novembro.

Por conta da pandemia do coronavírus esse evento não pode ser realizado.

IX ENCONTRO NACIONAL DOS ESTUDANTES INDÍGENAS

Tema: Pré-IX ENEI: IX Encontro nacional dos estudantes indígenas - Pré-evento Online.

Sede: UNICAMP - Campinas (SP) - Região Sudeste

Data do evento: 28 a 30 de Julho de 2021.

O pré-evento online organizado pela comissão organizadora do IX ENEI foi a primeira edição do evento que se deu de forma virtual. Diante da pandemia do coronavírus, e após o VIII ENEI ter sido cancelado por conta da crise sanitária, foi pensado que precisávamos demarcar também um espaço de muita disputa: a internet. Dessa forma, foi pensado que seria importante levar os debates para muitas regiões, sem a necessidade de expor as pessoas ao risco de contágio, e pensando na questão da biossegurança da organização, dos estudantes, do público no geral.

O evento foi organizado de forma a continuar levando para a sociedade os debates acerca das ontologias, epistemologias, cosmologias e vivência dos povos indígenas dentro e fora das universidades. Também para expandir o evento, foi pensada em estratégias cibernéticas de como ocupar as redes sociais, os sites e o campo sociopolítico da internet, de forma a não passar batido, e deixar registrado para a posteridade todos esses elementos audiovisuais.

Com o apoio da Universidade de Campinas, da Fiocruz, da Rádio Yandê, e de todos e todas estudantes indígenas foi possível organizar uma programação bastante abrangente para dar os primeiros tons de um evento virtual. O início do evento foi pensado de modo a respeitar os primeiros povos que tiveram esse processo de colonização atravessado em seu território, e partindo dessa ideia, a abertura do evento e do primeiro dia ocorreu com um ritual do povo Pataxó chamado “Awê Heruê” da aldeia Boca da Mata, trazendo a rica contribuição dos cantos sagrados. Em seguida houve uma Mesa de Abertura com a Co-deputada indígena do Estado de SP Chirley Pankará, com o Coordenador da APIB Kretã Kaingang, Reitor da UNICAMP Antonio José de Almeida Meirelles, representante do Diretório Central dos Estudantes Indígenas (DCEIN) da Unicamp e uma coordenadora da Comissão Nacional dos Estudantes Indígenas (CNEI). Devidamente saudada, a Mesa Temática: Metodologia Científica e Povos Indígenas: Produção do Etnoconhecimento foi brilhantemente palestrada pelo professor Gersem Baniwa, pelo pelo Prof. Dr. Edson Kayapó e pela estudante de Direito Aline Kayapó. No segundo dia o ritual de abertura foi feito pelo grupo Weõpari Mahsã (Gente de Karriçu), e com uma orquestra do toque cosmológico de flautas, comprimentando os quatro cantos do mundo abriu o caminho para o lançamento da arte oficial do evento, e para a Mesa Temática: Movimento Indígena, Formação Política e Autodeterminação, e contou com a Dep. Joênia Wapichana, com Sonia Guajajara e Almir Suruí. O último dia teve a abertura do grupo de Rap OZ Guarani, poetizando na língua materna Mbya e também em português sobre o fortalecimento dos xondaro xondaria kuery para sobreviver a realidade difícil vivida pelos Povos Indígenas. Após essa demonstração de atualidade e resistência também tradicional, a última Mesa Temática III: Contexto da Educação Superior Indígena, Quilombola e Permanência (Bolsa Permanência) teve seu lugar com um belo encerramento realizado por Djuena Tikuna.


Acompanhe como foi nosso Pré-evento Virtual na mídia:

https://tinyurl.com/enei-noticia-01

https://tinyurl.com/enei-noticia02

https://tinyurl.com/enei-noticia03


Pré-evento virtual na íntegra:

https://tinyurl.com/enei-pre-evento

https://www.facebook.com/radioyande

No Pré-evento, também foi apresentada a arte ganhadora para identidade visual do IX ENEI. Segue abaixo abaixo o edital, inscrições e o resultado dou concurso.

Clique aqui para acessar o EDITAL 01/2021

Candidatos inscritos

Resultado do Concurso